Há quem acredite que vidro é uma espécie de “líquido contido”. Essa ideia ganhou força graças a vitrais de igrejas da Idade Média, que são mais espessos na base (o que sugere que, como um líquido, eles escorreram, fluindo para a base lentamente, com o passar dos séculos). Mesmo depois de comprovado que essa diferença ocorria já no processo de fabricação dos vitrais, e não por uma suposta “liquidez” do vidro, o mito permanece – e um grupo de cientistas decidiu derrubá-lo de vez.

Antes de entrar em detalhes sobre a pesquisa, vale a pena explicar um pouco sobre líquidos, vidro e a relação entre os dois tipos de material. Quando um líquido esfria, ele tende a se cristalizar e se tornar mais “viscoso” (ou seja, menos propenso a se deslocar). Quando vidro derretido esfria, porém, se solidifica sem cristalizar – o que faz dele um “sólido amorfo”.

Contudo, seus átomos, de modo similar às moléculas de um líquido, ficam desordenados, o que reforçaria a ideia de que ele pode fluir, mesmo que pouco.

Como teste, pesquisadores do Departamento de Química da Universidade do Texas (EUA) analisaram um pedaço de âmbar (um polímero orgânico com propriedades similares às do vidro) de 20 milhões de anos, aquecendo-o a diversas temperaturas e observando o comportamento de seus átomos. Em comparação com líquidos, os resultados foram tão diferentes que não seria possível classificar vidro como uma espécie de líquido.

[HypeScience]